sábado, 5 de julho de 2008

Calçadas, uma vergonha curitibana - 2003



O jornal Gazeta do Povo publicou em 9 de fevereiro de 2003 uma excelente reportagem sobre as calçadas da capital paranaense sob o título: “Calçada ruim, de quem é a culpa?”.

Nessa reportagem descobrimos mais um produto do trabalho maravilhoso da Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil, sob a coordenação da Sra. Elin Tallarek de Queiroz. Além da cartilha elaborada pela associação mostrando que qualidades as calçadas deveriam ter, agora apresentam o resultado de uma pesquisa feita dentro da campanha “Passeio Nota 10”, analisando e propondo melhorias para as calçadas curitibanas. A pesquisa mostrou com números o que já sabemos, ou seja, que a maioria da população desaprova o padrão e conservação das calçadas de Curitiba.

A reportagem lembra também as promessas de campanha do atual prefeito e apresenta as desculpas pelo abandono da proposta. Lamentavelmente vemos o eterno jogo de responsabilidades entre a Prefeitura e os proprietários de imóveis. Nessa lógica o pedestre sempre sai perdendo, aumentando as estatísticas dos acidentados por atropelamento.

Temos por aí mais uma demonstração da falta de respeito ao cidadão comum. Chegamos ao absurdo de sermos obrigados a caminhar por passeios de altíssimo valor comercial, como é o caso dos existentes na Marechal Deodoro, olhando para o chão. Os comerciantes dessa via são tão primários que ainda não perceberam que eles também perdem muito dinheiro não zelando pela segurança daqueles que andam em frente às suas lojas, querendo encontrar nas vitrines e balcões o que precisam comprar. Assim os “shoppings centers” ganham a simpatia da população, onde, apesar de preços eventualmente maiores, terão a segurança que as ruas já não oferecem.

A alegação da falta de dinheiro por parte da prefeitura mostra a necessidade de maior atenção popular para o orçamento municipal. Prioridades são definidas todo ano, será que o dinheiro arrecadado está sendo usado de forma adequada? Precisamos mostrar a todo habitante da cidade o significado de suas decisões e o resultado dos impostos que pagam. Levantamentos são feitos para que a municipalidade não perca qualquer centavo de suas possibilidades arrecadadoras. Fiscais acompanham todas as atividades urbanas. A receita do município de Curitiba, principalmente após a Constituição de 1988 e a transferência da dívida da CIC para o estado, cresceu muito e poderia resolver muitos dos problemas graves que observamos no centro, bairros e periferia.

O município, com o apoio do Tribunal Regional Eleitoral e de entidades de pesquisa poderia promover consultas permanentes. A internet também seria um excelente instrumento para isso. Com o apoio dos jornais, televisão e rádio haveria como criar um ambiente de debate permanente e de seleção das melhores propostas. Acima de tudo seria necessário encontrar outras formas de planejamento e gerência da cidade onde o prefeito, vereadores e técnicos dariam o apoio e orientação que a população precisa para compreender e agir pró ativamente.

Temos pessoas e entidades dedicadas às questões urbanas. A Sra. Elin Tallarek de Queiroz e sua Associação dos Condomínios garantidos são um exemplo muito especial, pois nada em sua campanha mostra segundas intenções ou interesses corporativos e empresariais. Com apoio de lideranças dessa espécie poderíamos construir uma Curitiba melhor, mais saudável e segura. É só querer e trabalhar para que aconteça.

Cascaes

9.2.3

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