sexta-feira, 30 de abril de 2010

Televisores - uma solução para buracos de alto risco

É de desanimar

terça-feira, 13 de abril de 2010

Minha rua, minha cidade e as bicicletas

Nasci em Blumenau, 8 de outubro de 1944. Ano de guerra, cresci lutando.

Blumenau era uma pequena cidade, daquelas eras em que algum carro motorizado de tempos em tempos passava em frente de nossa casa, bem no centro, ao lado do Hotel Durma Bem, perto do Colégio da Sagrada Família.

Dos carros tínhamos o cheiro de óleo queimado de uma grande oficina, da qual víamos uma parede imensa e um muro mais adiante, que minha mãe compensava com um belo canteiro, quase sem flores, pois não pegava Sol.

A rua em frente à nossa casa (na época Rua 4 de Fevereiro) só ganhou asfalto em 1950; afinal o prefeito queria festejar o centenário da cidade mostrando-a moderna.

Minha primeira bicicleta, um triciclo, ganhei muito antes. Pernas tortas, algum médico, o Dr. Câmara, talvez, disse para meus pais que a bicicleta ajudaria a corrigir o arco que levava entre os pés e a barriga. E as bicicletas vieram, inclusive um carrinho de lata, a pedais, que eu usava orgulhoso enquanto emprestava meu primeiro triciclo para minha irmã, mais nova do que eu.

Bom mesmo era andar, sair de casa para fazer tobogã num barranco de cepilho de uma marcenaria perto de casa, ir pescar no ribeirão Garcia (piaba, cará, cascudo etc.), andar pelo mato nas épocas das amoras, carambolas e pitangas e explorar os muitos morros que cercam Blumenau. Terrenos baldios ou mal protegidos e quintais vizinhos garantiam as goiabas, as laranjas, os pêssegos e figos. Em tempo, o Ribeirão Garcia era a fonte dos meus peixinhos, que colocava em aquários improvisados... Em casa éramos visitados pelos sabiás, canários da terra, azulões, coleirinhas, tico ticos, saíras... e os pardais. O desafio de nós dois, eu e minha irmã Sônia Maria, era espantar os caçadores.

A cidade quase não tinha carros, era movida a bicicletas, que maravilha para as crianças!

Assim ia e vinha da escola (às vezes batendo queixo, outras vezes chegando molhado pelas chuvas) com a minha Erlan, freio no pedal e pneus que raramente furavam. Tinha para lamas, farolete, sinetinha e bagageiro, realmente eficazes. Agüentava qualquer parada e assim pude exercitar desafios como subir e descer de bicicleta (sem marchas) o morro do Colégio D. Pedro II, o morro da Maternidade, todos os dois com excelentes pistas para descer com o máximo de velocidade, arriscando algumas proezas e sofrendo alguns tombos, dos quais, o pior, foi no tempo em que usava um triciclo reforçado. Não conseguindo fazer a curva ao final da descida, bati no meio fio dando uma pirueta antes de cair no chão. A bicicleta não entortou, maravilhas daquela época.

Chato eram as denúncias de amigas, que contavam para a mãe o que fazíamos.

E conhecer Blumenau era uma festa para a visão e todos os outros sentidos. Casas com jardins impecáveis, cheias de cortinas e cheiro de chucrute eram normais na Velha enquanto no Bom Retiro os castelos impressionavam, talvez tanto quanto a fábrica da Hering. E lá, no clube de tiro, íamos catar cartuchos sem saber exatamente para quê. Dois caminhos levavam ao Bom Retiro, um pelo Morro do Hospital Santa Isabel, o outro passando perto do Colégio D. Pedro II. O legal, ao caminhar pelo morro, era ver o Ribeirão e as flores silvestres. Perigo mesmo quando, e isso aconteceu dando um tremendo susto em nossa mãe Chiquinha, de noite ela pisou numa cobra. Iluminação pública era coisa das ruas melhores.

Andávamos muito, para qualquer visita a família inteira saía andando pela rua mesmo, quando faltava calçada, afinal medo do quê? Longas caminhadas para que meus pais travassem um papo amigo e nós, sob severo controle, não aprontássemos nada.

Meus pais não usavam bicicletas, o negócio do meu pai era andar mesmo. Para ele comprar um carro, um fusca lá pelos anos sessenta, foi preciso minha mãe colocá-lo contra a parede, negando-se a assinar um documento de compra e venda de um imóvel. Talvez a causa real tenha sido o roubo de um canário, que ele gostava demais, e não descansou enquanto não o descobriu num beco de algum bairro.

E minha bicicleta de duas rodas, quando a ganhei num Natal, a primeira, fiquei olhando para o céu esperando ver o Papai Noel...

Os tempos passaram. Agora as cidades estão asfaltadas e usar bicicletas é uma aventura. Caminhar é perigoso, pode-se ser assaltado, atropelado, escorregar em calçadas mal feitas ou até cair em buracos inesperados, apesar do “progresso”.

Morando em Curitiba depois de velho vejo as manchetes e deploro o desvirtuamento das cidades, que deixaram de ser lugares de crianças e homens para pertencerem a motoristas, nem sempre atentos àqueles que caminham ou usam bicicletas.

Os índices de acidentes, assaltos, assassinatos atropelamentos etc. mostram que o mundo mudou muito.

Não estamos em guerra declarada, mas numa luta fratricida, inconsciente e tremendamente perigosa, que se não mata aleija, educa mal, constrói cidadãos motorizados, egoístas, alheios à Natureza e a eles próprios.



Cascaes

12.4.2010

participar da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2011 - LDO

Prezado Cidadão, Você, esta convidado a participar da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2011 ao vivo, na administração regional de seu bairro:

Terça-feira, 13 de abril de 2010 - Boqueirão, Matriz e Boa Vista.
Quarta-feira, 14 de abril de 2010 - Pinheirinho, CIC e Bairro Novo.
Quinta-feira, 15 de abril de 2010 - Cajuru, Portão e Santa Felicidade.
Sua sugestão tem peso, é importante e pode mudar a cidade para melhor.
Apareça e leve mais gente. Participe!
Clique http://loa.curitiba.pr.gov.br/  e deixe suas sugestões.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Até quando Curitiba será assim?

O "petit pavé", tão execrado por nós devido a sua má execução

Meu amigo Cascaes e demais


companheiros do FOMUS e do ainda seremos,


Tenho me mantido ausente de toda esta importante discussão e luta de todos quanto ao impedimento da convalidação de um modelo econômico penalizante à cidade de Curitiba, traduzido nesta concorrência desastrada do transporte coletivo.

Infelizmente muitos projetos fora da cidade têm me mantido distante. As ciclovias, ciclofaixas e a mobilidade por bicicleta em algumas cidades do País têm me mantido afastado de Curitiba, mas não dos amigos e da luta travada.

No entanto, neste momento queria comentar sobre calçadas e passeios de pedestres. Um primeiro ponto, insisto, refere-se a definição de calçada e de passeio de pedestres. Isto para que possamos unificar linguagens. No meio acadêmico existe a definição de que calçada é o espaço entre o limite das propriedades e o meio-fio da caixa da via. Passeio é o espaço exclusivo à circulação dos pedestres.

Deve ser entendido que na maioria das cidades brasileiras, de colonização lusitana, a calçada é o passeio e nada mais é possível acontecer neste espaço. Entretanto, em muitas cidades de colonização espanhola e largamente nas grandes cidades européias a calçada é muito mais. Nela existe o espaço para equipamentos públicos; espaço para o passeio de pedestres; espaço para a arborização; espaço até para a ciclofaixa na calçada, em área apartada do passeio, mas no mesmo nível deste.

Infelizmente, repito, aqui a calçada, por sua reduzida largura, é o próprio passeio. Nada mais é possível colocar sobre ela. Aqui os espaços não têm hierarquia. Sobre as calçadas tudo se mistura: postes; pessoas; orelhões; árvores, arbustos, gramíneas; pessoas; cachorros; placas de sinalização veicular; colunas de letreiros; pessoas etc. Uma verdadeira Babel de pessoas, objetos e uso. E o pior, em cima de um pavimento mal cuidado, de baixa qualidade executiva e com material duvidoso.

Uma observação importante. O "petit pavé", tão execrado por nós devido a sua má execução, não pode ser considerado atraso nos pavimentos voltados à circulação dos pedestres. Estás louco, meu amigo! - diriam os não meus conhecidos. Não, - diria eu para todos - não ensandeci. Três anos atrás tive a oportunidade de ir a Portugal antes de ir a Holanda. Na terra mãe fui a um Congresso em Braga, onde apresentei algumas pequenas e pífias conquistas em termos de projetos cicloviários. Fui até lá mostrar algo e saí com uma aula de pavimento para pedestre. É mesmo? - diriam os mais céticos.

Sim, é verdade. Em Braga, no norte de Portugal tive a oportunidade de circular em calçadões que se estendem por mais de 4 km da cidade. Isto representa mais área de calçamento do que toda a cidade de São Paulo. E olha que Baga tem cerca de 180 mil habitantes e constitui o centro de uma região com cerca de 1 milhão de habitantes. Mas São Paulo quantos habitantes têm? 12 milhões? 13 milhões? E a RMSP? 19? 20? 21 milhões de habitantes? Pois bem, lá eles tratam bem os pedestres. A automovelcracia não domina tudo, mas sim os pedestres. E não quer dizer que não exista automóveis e vias para ele. No centro da cidade há uma via com um túnel bifurcado, ao estilo do Ayrton Senna em São Paulo, sob o Parque Ibirapuera, para quê? Para garantir a integridade do espaço dos pedestres sob grande calçadão. Um anel viário com duas pistas com três faixas de tráfego em cada sentido circunda todo o centro expandido. Dentro dele as velocidades são acalmadas e, como já disse, podemos encontrar quase 4 km de calçadas livres de automóveis, onde existem passeios, árvores, mobiliário urbano como bancos e postes de iluminação, estátuas, chafarizes e pequenas e belas fontes de água e luz. Ou seja, um banho de civilidade para nossos olhos.

Mas o melhor é que o piso reveza o grês com o petit pavé (ou pedra portuguesa). E o mais fantástico ainda, uma mulher pode andar com toda a elegância sobre seus saltos altos que não cairá de forma alguma. E sabem por que? Porque o piso foi assentado por calceteiros de boa formação, num trabalho de qualidade invejável tanto no arranjo das pedras, como no acabamento, e muito mais no encaixe das mesmas. Andamos sobre o piso de pedra portuguesa como se estivéssemos em um piso de superfície contínua. Isto mudou em definitvo o conceito que tinha sobre o "petit pavé" ou, como queiram, a "pedra portuguesa". Para provar o que digo enviarei três fotos tiradas num dos calçadões construídos com piso desta natureza.


Enquanto isto, nós aqui, em Curitiba, vivemos com o pior das estruturas construídas em "petit pavé". O problema então é do piso? Dos governantes que não sabem administrar e coordenar ações? Da nossa formação cultural? Ou de todas estas deficiências juntas? Acho que estamos mais enquadrados nesta última.



Grande Abraço a todos.

Saudações @bicis.com

Miranda



-----mmm-----



Em 4 de abril de 2010 00:13, JCCascaes escreveu:

http://cidadedopedestre.blogspot.com/
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sábado, 3 de abril de 2010

Na Dinamarca

Para quem é brasileiro, será perigoso dirigir carro aqui na Dinamarca SEM se informar melhor as regras de trânsito daqui.

Um exemplo: na rua, quando tem semáforo para virar para algum lado, ao se tornar verde, não quer dizer que você terá prioridade. Significa que você está permitido para virar SE não houver pedestre e/ou bicicleta atravessando na rua que vai virar, SE não tiver carro vindo em mão oposta. Ou seja, ao ficar verde, terá de olhar certificando-se de que não haja estes elementos.

Eu disse "Um exemplo"! Não entendam como "só isso"!