terça-feira, 13 de março de 2012

Redes subterrâneas para o bem das cidades

Redes subterrâneas para o bem das cidades



Olá amigos,
Foi publicado uma artigo meu na Gazeta do Povo, sobre a distribuição de energia por redes subterrâneas, tema este que considero de grande importância ser discutido.
Gostaria de saber sua opinião a respeito, se concorda ou não, se tem alguma outra sugestão sobre o assunto.
Envio a inegra do artigo e aguardo sua manifestação.
Obrigado
Stephanes Junior
http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?tl=1&id=1232052&tit=Redes-subterraneas-para-o-bem-das-cidades
Redes subterrâneas para o bem das cidades
O sistema de distribuição de energia é feito apenas por via aérea em Curitiba, enquanto que em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília avança, há algum tempo, na forma subterrânea

Mobilidade urbana é o tema da moda, agora impulsionado pelas obras para a Copa do Mundo de 2014. O conceito estabelece que as políticas públicas de transporte, trânsito e de uso e ocupação do solo devem ser elaboradas de maneira conjunta e harmoniosa. Embora muito mais amplo, o tema vem sendo tratado basicamente como se fosse relativo apenas ao deslocamento das pessoas dentro das cidades.
Há, entretanto, um aspecto específico na questão da mobilidade no qual Curitiba ainda caminha a passos lentos. Trata-se do sistema de distribuição de energia, atualmente feito apenas por via aérea na capital, enquanto que em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília avança, há algum tempo, na forma subterrânea.
Temos assistido, nas últimas semanas, a algumas consequências trágicas da opção pelo ar para distribuir energia, inclusive a morte recente de um profissional da Copel durante um temporal. Curtos-circuitos provocados por queda de árvores, mortes por eletrocução, acidentes com pipas, são diversos os registros provocados pela opção pela rede aérea, que representa maior risco de danificação dos fios por raios, ventania e outros fatores externos.
Países desenvolvidos como Estados Unidos, França, Alemanha e Áustria abandonaram há muito este tipo de rede. O nosso sistema, além de representar maior risco para o cidadão comum, é também uma agressão permanente ao meio ambiente e se transforma num fator de poluição visual.
Tecnicamente, as redes subterrâneas apresentam diversas vantagens em relação às aéreas. Promovem a redução na frequência e na gravidade dos desligamentos, reduzem o número de ligações clandestinas, possibilitam o aumento da densidade de potência distribuída, melhoram o aspecto visual das cidades, beneficiando o turismo e a vida dos habitantes; reduzem a necessidade de poda das árvores garantindo mais vida aos vegetais e hábitat para a reprodução de aves e possuem custos de manutenção reduzidos, dentre outros.
A Câmara dos Deputados, inclusive, analisa projeto que obriga a instalação de redes subterrâneas em conjuntos urbanos de reconhecido valor histórico e cultural, especialmente aqueles tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O principal argumento utilizado pelos defensores do atual sistema se refere ao custo. Alega-se que, em função da necessidade de um perfeito isolamento dos cabos – o que não é necessário com as linhas suspensas, nas quais o ar funciona como isolante natural – o valor da obra é mais caro. Um argumento que, à primeira vista, pode parecer definitivo, mas que ao longo do tempo perde força em função da extensa gama de vantagens apresentada pela nova sistemática.
Aliás, com a expansão da cidade, a implantação de novos bairros deveria ser precedida de uma atuação conjunta entre os diversos fornecedores de serviços públicos e privados (energia, saneamento, gás, galerias pluviais, internet, televisão a cabo etc.) para que as obras, no sistema subterrâneo, fossem executadas de forma integrada.
É inconcebível que exista o buraco da prefeitura, o buraco da Copel, o buraco da Compagas e assim por diante. O poder público, embora exercido em níveis diferentes, é único e precisa estar sempre integrado no momento em que leva serviços ao cidadão. É o mínimo que se pode esperar do planejamento urbano.
O Paraná tem na Copel uma das melhores e mais lucrativas empresas de energia do país. Porque não utilizar parte do lucro da empresa em projetos de expansão da rede elétrica por meio subterrâneo em Curitiba? Nossa cidade precisa continuar a ser considerada como modelo e como Capital Ecológica do país. Nessa área estamos vários passos atrás, mas ainda há tempo para recuperação.
Stephanes Junior é deputado estadual pelo PMDB.

2 comentários:

Luis Eduardo Knesebeck disse...

Assistimos neste momento a um formidável surto de transformações nas vias públicas de Curitiba. As obras viárias, iniciadas com a implantação da Linha Verde, estão agora voltadas para a Copa do Mundo de 2014 e melhorias no entorno da cidade. Outra iniciativa de envergadura (e importante alteração no atual paradigma do transporte público, que é voltado para o uso do ônibus como principal modal) será a implantação do Metro de Curitiba.

É importante incluir neste universo de transformações os benefícios em acessibilidade e mobilidade que estão intrinsecamente associados a substituição das redes aéreas de eletricidade, telefonia e internet que atualmente estão instaladas sobre calçadas da nossa cidade e que poderão ser subterrâneas. Esta alteração, realizada dentro das melhores técnicas de engenharia e urbanismo, permitirá que as novas calçadas tenham maior espaço e segurança para os pedestres em qualquer condição.

Como uma motivação adicional, percebe-se que as redes aéreas vêm, cada vez, mais contribuindo para acidentes no sistema viário municipal. Estes acidentes influenciam diretamente na confiabilidade do fornecimento de eletricidade e serviços de comunicação e internet, pois provocam queda de postes e rompimento de cabos. Isto sem falar na poluição visual provocada pelos verdadeiros “varais” de cabos nas ruas!

A discussão de soluções técnicas para este assunto foi substancialmente enriquecida pela contribuição que a Copel deu com o seu Guia Prático sobre Utilização de Redes Subterrâneas. Esta inovadora e completa proposta de utilização de redes subterrâneas, que se encontra disponível na home page da companhia, coloca a disposição das autoridades municipais um completo e extenso guia prático sobre a utilização de redes subterrâneas na distribuição de eletricidade e outros serviços. Entre outras informações, o documento registra que os custos de implantação desta modalidade de construção de redes de energia caíram seis vezes nos últimos 10 anos.

Luis Eduardo Knesebeck disse...

Uma boa notícia: a prefeitura de Curitiba anunciou a construção de mais uma alternativa ao modal de transportes em Curitiba!

A retirada dos cabos e postes de eletricidade da Avenida Visconde de Guarapuava é uma medida que vinha sendo esperada a tempos, e vem com uma proposta importante: a instalação de uma ciclovia de 3,5 km ao longo do centro do eixo da rua.

Dependendo do projeto de engenharia a ser aplicado na via, os cinco quilômetros de extensão das obras poderão transformar-se em uma fonte de receita para o município. Se for aplicada a modalidade da operação consorciada no empreendimento, os direitos de uso dos dutos subterrâneos poderiam ser explorados pelo município, gerando pagamentos das operadoras de telefonia, internet, água e saneamento e gás canalizado.

(A operação consorciada é um instrumento coordenado pelo Poder Público municipal e conta com a participação, entre outros, de investidores privados. Seu objetivo é alcançar transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais e transformações ambientais nas cidades.)

As redes de distribuição subterrâneas instaladas sobre a avenida, com acesso para operação e manutenção em pontos estratégicos, conterão um espaço privilegiado para que a infraestrutura de energia, telefonia, internet e tv a cabo e outros serviços públicos seja instalada com segurança, permitindo uma operação com maior confiabilidade, a prevenção de furtos de cabos e a interrupções dos serviços por acidentes.

E tudo isto contando com o conhecimento e a experiência no assunto da Copel, uma das melhores concessionárias de eletricidade do país!

A criação de uma empresa municipal especializada na prestação de serviços de construção e operação de redes de distribuição subterrâneas - RDS pode revelar-se uma interessante fonte de receitas para a cidade de Curitiba. Os investimentos previstos para a renovação da Av. Visconde de Guarapuava (em torno de 18,5 milhões, além dos custos da renovação urbana, segundo fontes da imprensa) seriam compensados pelas receitas obtidas com os serviços de O&M - Operação e Manutenção ao longo da vida útil do empreendimento. Este é um benefício significativo para as empresas usuárias, que poderão concentrar seus esforços na operação dos seus negócios e usufruir de um serviço especializado e seguro, o qual seja, o uso de redes municipais subterrâneas.

Muito mais que uma obra de engenharia, este projeto que estima-se seja concluído já em 2013 poderá servir como piloto para o desenho econômico-financeiro a ser aplicado nas obras do futuro metrô de Curitiba. Neste caso, devido a verdadeira revolução que será conduzida nas artérias onde passará o metrô, os ganhos que podem ser obtidos com a utilização de redes de distribuição subterrâneas poderia mudar a gestão das vias públicas na cidade e servir como modelo para o Brasil.
Luis Eduardo Knesebeck (luis_eduardo_knesebeck@yahoo.com.br) é Conselheiro Master da Associação de Profissionais da Copel e Presidente do Conselho Deliberativo do Clube de Investimentos Iguaçu.