sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Caça ao pedestre em Curitiba


Caça ao pedestre em Curitiba
Na capital do Paraná, quando imaginávamos que o pedestre, PCD, idoso e pessoas doentes que são obrigadas a se deslocar pelas coisas que denominam de calçadas estariam melhor com os novos padrões aparecem outros “veículos” para promover retrocessos perigosos.
A onda agora é a “bike”, nem em português o pessoal se expressa. É “bike”! Por quê? Não sei nem dou ao trabalho de descobrir as origens dessas palavras  estranhas. O resultado é que onde a Prefeitura fazia novas calçadas foi obrigada a colocar ciclovias que não agradaram a ninguém, menos ainda àqueles que são obrigados a transitar sem “bikes”. Podemos até imaginar que isso seja vingança dos ciclistas que tiveram suas ciclovias invadidas pelos pedestres, gente que têm a péssima mania de andar e usar o transporte coletivo urbano.
Desgraça pouca é besteira. Com os assaltantes, trombadinhas etc. também disputamos espaços com os “skatistas”, mais uma palavra estranha importada. Se podíamos ser atropelados por atletas sobre duas rodas agora temos pranchas com quatro rodinhas para acertar bem no tornozelo...
Felizmente os carros novos e usados estão baixando de preço. O jeito é sair de casa já dentro do carro, com muito cuidado na hora de abrir o portão, e parar tão perto quanto possível do lugar que desejamos.
Que país estranho o nosso, como nosso povo gosta de ambientes degradados.
Em barzinhos temos autênticos trios elétricos tocando algo que dizem que é música, nas ruas os motociclistas se esforçam para se esborracharem ou serem atropelados, os motoristas de ônibus devem dirigir com o máximo de velocidade (dentro dos limites), mas acelerando e freando em cima. Se atropelarem alguém existe seguro para consolar a família.
O que sentimos é o anti-planejamento. A FIFA mandou e teremos alcoólatras fazendo festa durante a Copa. O famigerado Solo Criado  (Planejamento) viabiliza espigões onde antes tínhamos brechas para enxergar um pouco longe e receber a luz do Sol, aquele astro que nos aquece nos dias de inverno.
E as calçadas? Curitiba ecológica garante árvores que as destroem e ainda determina canteiros para compensar a impermeabilização do solo. Dentro do terreno usa-se tudo, inclusive levando canis para junto das cercas que, do lado de fora, ainda contêm canteiros de plantas espinhentas.
Se alguém por acaso cair em direção à cerca perderá o braço e sairá todo espetado...
O pedestre, que gente chata, como alguns incomodam.
Curitiba, capital ecológica, precisa mostrar árvores cheias de erva de passarinho e outras parasitas, no chão a água vai descendo (lençol freático) e com o tempo, como acontece com qualquer ser vivo, morrem e caem, esperando um piedoso vento que as faça descansar.
Poluição, que maravilha.
Ruídos absurdos, carros e motoristas enlouquecidos (poluição mecânica e gasosa), ciclistas soberanos e inimputáveis, skatistas com sonho de surfar no mar, já que não temos praias, vale a calçada, as canaletas etc. até que um grande acidente acorde as autoridades.
Pois é, quando saberemos construir e administrar cidades seguras e saudáveis?
Enquanto nossos candidatos fazem campanha, fica aberta a caça ao pedestre. O IBGE e o SUS farão estatísticas e dentro de alguns anos nossos jornalistas poderão escrever, surpresos, artigos candentes sobre a periculosidade dos passeios de Curitiba.

Cascaes
27.9.2012
Planejamento. (s.d.). Solo Criado - o que é, valores e como comprar. Fonte: Prefeitura de Porto Alegre: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/spm/default.php?p_secao=140


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