quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Opções políticas e técnicas - calçadas de Curitiba


Bicicleta ou sapato
Nosso prefeito, Sua. Excia. Dr. Gustavo Fruet, mostrou que é político enérgico e coerente; em seu discurso citou o Mensalão e elogiou o trabalho do STF. Como bom advogado sabe o que fala; mais ainda pelo que assumiu ao comandar a CPI que tratou deste assunto no Congresso Nacional.
Agora os desafios são outros.
A gerência de uma Prefeitura do porte de Curitiba é um tremendo desafio. A cidade é marcada pela submissão a grupos poderosos, tanto do ponto de vista econômico quanto técnico, a ponto de sacralizar decisões nocivas ao povo que anda, trabalha e não pode usar transporte motorizado.
Caminhar em Curitiba pode ser um tremendo prazer, a cidade é linda, exceto quando vemos a rede aérea de distribuição de energia elétrica e comunicações (telecomunicações?), suas árvores moribundas (cheias de erva de passarinho e dizendo que só esperam um vento mais forte para desabar, sobre quem?), a pichação impiedosa, calçadas tenebrosamente destruídas e conceitos estranhos de decoração.
Existem leis nacionais de proteção às pessoas com deficiência, idosas, com doenças graves, crianças, gestantes etc. que não foram consideradas no processo de decoração da capital paranaense. Meio século e um pouco mais atrás a legislação não existia, o trânsito motorizado era rarefeito, a população menos que um quarto da atual...
Mundo século 21 chega aos países emergentes com exemplos que merecem ser vistos com atenção. Olhando cuidadosamente calçadas de lugares tão famosos quanto Paris, notaremos que o piso antigo foi coberto por camadas de asfalto ou simplesmente substituído por algo transitável com segurança, isso sem falar da expulsão gradativa do transporte motorizado de superfície de qualquer centro urbano.
Lá estão na fase das bicicletas. As ciclovias aparecem até ao longo de rodovias e nas cidades os estacionamentos improvisados de “bikes” dizem que merecem algo mais. De qualquer forma o europeu dá sua contribuição à racionalização da mobilidade urbana dentro dos critérios necessários ao século 21.
Assim foi gratificante ver nosso prefeito ir de bicicleta da Câmara de Vereadores à Prefeitura na tarde de sua posse. Provou que o lobby técnico funcionou. E o popular ato de caminhar? Usar sapatos para andar?
No dia primeiro de janeiro de 2013 choveu em Curitiba; seria divertido ver o pessoal que o acompanhou descer andando um trajeto como o do CREA-PR até a reitoria da UFPR, por exemplo (e falando de dois polos tecnológicos). Um bom cinegrafista teria matéria para muitas reportagens cômicas ou trágicas.
O pedestre é vítima do desprezo que lhe deram ao planejar Curitiba. Quando muito ele disputa espaço nas ciclovias existentes se quiser andar sem olhar para o chão.
Na administração do ex-prefeito Ducci isso começava a mudar. Vimos, apreensivos, reportagem da RPC TV ressuscitando teses louváveis, mas superadas.
Nada impede que nossas antigas calçadas de “petit pavê” sejam transferidas para alguns parques de Curitiba, formando um circuito saudosista e artístico, lugar para turista, com painéis educativos falando de nossas origens e motivos para usar essas pedrinhas de basalto com baixo coeficiente de atrito, escorregadias, irregulares e perigosas até na condição de armas em brigas entre torcidas organizadas, como já vimos acontecer.
O nosso novo prefeito (Curitiba) não se posicionou a respeito deste assunto, piso de calçadas, pelo menos publicamente. Para não termos que amargar decisões irrecorríveis, precisamos mobilizar companheiros e companheiras de tantas lutas pela acessibilidade e segurança em geral (e não simplesmente patrimonial) na defesa das mudanças em curso.
Pedimos encarecidamente que tenha uma orientação cautelosa e favorável ao pedestre.
Curitiba mudou muito. Exige novos conceitos. Lamentavelmente quem errou no passado não muito distante não se sente feliz com isso, mesmo que suas intenções fossem as melhores possíveis.
É importante lembrar sempre que a capital da terra das araucárias, tempos passados, deve considerar acima de tudo o conforto e qualidade de vida de seus habitantes de todas as classes sociais. Não é divertido escorregar e cair feito palhaço em suas calçadas, pior ainda mergulhar em buracos que tudo junto (degradação de ruas e calçadas pelo envelhecimento de sua infraestrutura) criaram. Mais grave que tudo isso é observar a ausência de calçadas em muitas ruas da capital ou a absoluta intransitabilidade de muitos trechos importantes.
Prefeito e amigo, Sua Excelência Dr. Gustavo Fruet, nem tudo estava errado na última administração de Curitiba; não perca os bons projetos e conceitos conquistados a duras penas.

Cascaes
2.1. 2013

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