sexta-feira, 27 de março de 2015

Educação, Mídia e Ações a favor dos pedestres


Mudanças de comportamentos são difíceis. O que aprendemos em nossa infância e juventude forma nosso caráter e sobre essa base no resto da vida faremos opções. Mais ainda, mudanças hormonais e profissionais afetarão substancialmente a personalidade do cidadão e da cidadã, seja ele(a) peão ou prefeito.
É até interessante comparar fotografias e histórias de crianças de algumas décadas passadas e observar o que são agora, se sobreviveram.
Nas cidades, o local máximo de vida social, temos conjuntos de seres humanos que se organizam de acordo com suas condições culturais, financeiras, intelectuais e até esportivas. Todos, sem exceção, dependem de estruturas artificiais para poderem viver de forma adequada, agradável, segura.
Ainda estamos em tempos de automóveis. A indústria e o comércio de automóveis dominam nosso povo. Exercem o poder que têm de muitas maneiras, até porque há poucas décadas possuir um automóvel era sinal de status inequívoco, exceto se fosse para trabalhar. Os grandes apartamentos cariocas na Avenida Atlântica, já um luxo inigualável, tinham normalmente apenas uma garagem...
Tudo mudou com a redução de custos e massificação do transporte motorizado, inclusive de duas rodas.
E os pedestres?
Se antes caminhava-se pelas ruas onde também jogava-se bola e brincava-se do que a inventividade gerava, agora são pistas ´pavimentadas com esmero suportando veículos silenciosos e velozes. Os atropelamentos cresceram. Os hospitais e UTIs estão lotados. A quantidade de pessoas com deficiência cresce absurdamente.
A população envelhece, a expectativa de vida aumentou muito. Principalmente as novas gerações poderão ser centenárias. Como? Dependendo de muletas, cadeiras de rodas, cuidadores etc. porque foram vítimas de acidentes?
E as crianças atuais, precisam ser presas entre quatro paredes para não morrerem sob as rodas de um automóvel, caminhão, ônibus e até motocicletas? Elas devem ser condenadas precocemente à prisão domiciliar principalmente porque queremos usar nossos bólidos sem atenção aos pedestres? Os equipamentos de segurança dos carros servem apenas para proteger seus passageiros? Ruas e calçadas oferecem segurança para quem não tem a armadura motorizada?
Infelizmente as histórias de desprezo pelo povo não pertencente às nossas aristocracias crescem em tamanho, número e violência. Talvez para preservar parentes e os próprios políticos, milionários e funcionários graduados não tenhamos boas fiscalização, dispositivos eletrônicos de vigilância, iluminação pública etc.
E as calçadas?
Nelas as concessionárias se instalam sem grande cerimônia. Não temos em prefeituras entupidas de funcionários e DASs quem coordene intervenções e até possa exigir cuidados naturais, como podemos ver em cidades mais desenvolvidas de países sérios e responsáveis.
Em Curitiba, usando-a como exemplo, os passeios são espaços privilegiados de árvores (que podem morrer precocemente por efeito da impermeabilização do solo, garagens que mergulham na terra, prédios e mais prédios criando sombra onde antes tínhamos acesso à luz divina, falta de cuidados, trombadas de carros etc.). Estão criando desfiladeiros de concreto e aço.
Nas calçadas de pedras irregulares existem faixas de grama, lixeiras, postes etc. demonstrando ausência total de atenção técnica (Engenharia) a quem precisa usá-las. Não cogitaram de garantir a permeabilização do solo dentro do espaço privado? Na imensa maioria dos circuitos para pedestres na capital do Paraná os cadeirantes e pessoas que precisam usar bengalas e andadores estão impedidos de usá-las, agravando cruelmente essa condição de existência.
Pessoas idosas se arriscam a quedas degradantes e lesões permanentes, isso é justo?
Será que ainda somos trogloditas? Se esse é o caso é mais do que tempo de incluir na grade escolar em todos os níveis a Educação no Trânsito, pelo menos para que todos aprendam a se defender de colegas motorizados. Via todos os meios de comunicação deveriam existir campanhas educativas permanentes para proprietários de imóveis, pedestres, motoristas, educadores etc. sobre a importância das calçadas, bem feitas, acessíveis, seguras.
Nossos pequenos empresários de obras públicas precisariam ter ou alugar equipamentos adequados de sinalização e serem ensinados a usá-los de forma a garantir a segurança dos pedestres.
Leis, normas técnicas e até estatutos fazem a mídia de seus autores, são aplicados? Existem, e o Poder Judiciário? Ministério Público? Onde estão?
Acima de tudo, e em 2016 teremos eleições, é fundamental eleger pessoas atentas aos problemas urbanos, com destaque para os caminhantes; políticos compromissados e conscientes de que antes de mais nada deverão disciplinar, coordenar, vigiar, propor, fazer acontecer etc. planos a favor de quem precisar sempre andar e até aqueles que só saem do carro para entrar em casa.
Para concluir, quanto tempo levaremos até termos disciplina urbana e coordenação das concessionárias para uso de tecnologias melhores e manutenção de suas faixas de servidão, as calçadas?

Cascaes
27.3.2015




A importância de educar - a responsabilidade sobre as calçadas e a atuação da Prefeitura