terça-feira, 21 de abril de 2015

Cidades responsáveis e as calçadas - uma questão de segurança e respeito ao ser humano




A segurança nas cidades
Quando o tema é segurança normalmente vem à mente os crimes violentos[1], que realmente formam um cenário gravíssimo e tem causas semelhantes a todas as outras formas de garantia de mínimos riscos à saúde e incolumidade das pessoas: a falta de educação humanística, justa, necessária. É terrível perceber que principalmente nossas “elites materiais e intelectuais” demoram a compreender a importância do respeito e, se possível, amor ao próximo, seja quem for.
No Brasil as endemias, os acidentes de trânsito, trabalho, em casa e nas práticas de esporte, etc. estão relacionados à ignorância e deficiências na educação de todos nós. No gerenciamento de cidades essa falta de educação é trágica, pois a eleição de prioridades e o cuidado de todos pelo que se é responsável fica fragilizado pela incompreensão de suas responsabilidades. Em termos técnicos o drama reside na indiferença de profissionais em relação aos efeitos de suas decisões. Isso é agravado pela pouca eficácia do aparato usado na cobrança legal, onde os processos são caros, lentíssimos e carentes de lógica estável, sempre dependendo de processos singulares e fáceis de serem contornados quando nas mãos de boas bancas de advogados. Toda essa etérea compreensão dos compromissos de solidariedade gera governos deficientes e um cenário de submundo, quando comparamos o Brasil aos países mais desenvolvidos.
Temos castas “nobres” que simplesmente vivem distantes do cenário popular, a elas faltando tudo, principalmente sensibilidade social fraterna.
Precisamos aprender a zelar pela vida em todos seus aspectos, acima de tudo cuidando do que acontece e pode ser aprimorado.
É fácil perceber que colhemos o fruto da pior ignorância cultivada em nosso país há muito tempo. Podemos escolher questões emblemáticas e com elas ilustrar o que pretendemos expor. Vamos às calçadas.
Caminhando sentimos com máximo rigor tudo o que pode acontecer fora de casa, onde também existe muito a ser aprimorado [ (1), (2), (3), (4), (5) etc.]. Andamos sobre passeios[2], atravessamos ruas, contornamos obstáculos, passamos rente a carros com excesso de velocidade, escavações enormes, plantas com espinhos, animais ferozes contidos em cercas mal feitas, sinalização precária, iluminação noturna insuficiente, árvores desproporcionais a seus canteiros, postes, muros e espaços insuficientes, calçadas obstruídas por placas aleatórias, barreiras de obras mal feitas, saída de veículos perigosas,  veículos mal estacionados, sujeira, precariedade de sistemas e descoordenação de equipamentos e serviços criando eventualmente uma sensação de segurança ilusória e muito mais.
Em cidades mais adiantadas raramente veremos tanto desprezo pelo ser humano. Ao contrário, as ruas são prazerosas, algumas encantadoras [ (6), (7), (8), (9), (10) etc.].
Qual é o resultado do desprezo pelos pedestres?
Qualquer atividade externa, sendo possível, será feita preferencialmente usando um automóvel ou os ônibus (apesar da qualidade, esperas, apertos...), pois andar pelas calçadas é aceitar uma série de constrangimentos, agressões, atropelamentos (11), quedas e outras situações desagradáveis. Opta-se por shoppings centers e supermercados; andar procurando lojas, padarias, mercearias e outros pontos de venda é perigoso. A cidade transforma-se em um arquipélago de pontos de venda, lazer, cultura ligados entre si com ruas densamente ocupadas por veículos e poluição quando poderia ser um espaço de convivência agradável.
Não podemos escapar dos arquivos de gente, os prédios que roubam o horizonte e criam desfiladeiros, esse é um preço inevitável do crescimento populacional.
Ao que o pedestre se submete é, em geral, uma coleção de situações já dominadas por qualquer bom profissional em Urbanismo, Arquitetura, Engenharia, Administração Pública, Medicina, Sociologia, Direito e por aí afora. Os pedestres também pagam impostos, taxas e carimbos em profusão. O quê recebem em troca?
Temos eleições; de dois em dois anos os discursos são repetidos à exaustão, muito parecidos independentemente de partidos e candidatos, e qual é o resultado? O que acontece após a posse dos eleitos? O retorno é ínfimo para o cidadão comum, mas o custo do “Governo” só cresce desmoralizando a Democracia. Cargos importantes são ocupados por pessoas sem cultura adequada a suas responsabilidades, o que vale é a lealdade canina (ou bovina) ao chefe.
Temos a cultura do formalismo. Assim produzimos sem parar documentos complexos e sem conexão com a realidade. Nesse cipoal perde-se sensibilidade para as questões essenciais e o detalhamento obriga a “vítima” a contratar gente especialista em atender tecnocratas.
No Brasil “ganhamos” leis, decretos, normas técnicas e decisões de repartições públicas em tal quantidade que precisaríamos ler constantemente os diários oficiais e portais, quando existentes, de todos esses fabricantes de regras e contribuições compulsórias ao “bem estar e segurança” dos nossos cidadãos. Provavelmente o dia útil de cada um seria insuficiente para tudo isso, mas se for empreendedor, principalmente, estará sob riscos severos de multas e outras punições. Assim vão sendo criadas também atividades corporativas mais e mais caras...
E a segurança?
Sentimos pesadamente a falta de qualidade de vida em bairros “nobres” de Curitiba, por exemplo. Sabemos que a situação é infinitamente pior em lugares mais humildes. Podemos perguntar, o que se fez a favor do povo foi proporcional ao sequestro legal de rendimentos e percentagens de pagamentos feitos por todos nós via impostos de consumo e uso?
Muitas atividades de fiscalização e avaliação podem ser caras, mas, tomando como exemplo as multas de trânsito, seriam até rentáveis se existisse vontade política de fazê-las. Um simples fiscal bem preparado caminhando semanalmente pelas ruas principais de Curitiba (nosso “estudo de caso”) arrecadaria muito mais do que custaria, além de contribuir para evitar situações que se refletem em outras “despesas” (SUS, INSS, atendimento em emergências etc.).
O curioso é a omissão das corporações.
E os sindicatos? Onde estão?
Também andando pelas cidades descobrimos situações de constrangimento e perigo para os trabalhadores, suas atividades são realmente vigiadas por especialistas em segurança?
Onde estão os responsáveis pelos conselhos profissionais? O que fazem os órgãos formais de cobrança de leis? O que está faltando para termos algo proporcional ao que se exige a favor do cidadão comum?
Com certeza somos todos, de uma forma ou de outra, responsáveis por esse clima de tolerância a governos deficientes; poderíamos exercer com mais rigor a cidadania, afinal todos sabem algo e podem contribuir um pouco que seja via redes sociais, queixas formais, reportagens e tudo o mais que um país ainda relativamente livre permite.
O que descobrimos é que fomos educados a não questionar, a ser passivos, lenientes, omissos.
A Operação Lava Jato e outras que a mídia tem mostrado revelam situações que estão deixando os brasileiros perplexos e revoltados. Precisamos, contudo, estender essa revolta ao detalhe de nossa vida urbana, pelo menos.
Muito do que vemos pode ser corrigido em pouco tempo, basta fazer com que a estrutura de governo e concessionárias funcione e as leis sejam respeitadas (se possível também racionalizadas e disciplinadas de forma justa e necessária, sem preciosismos desnecessários), pelo menos as principais, mais significativas em nossa vida comum.

Cascaes
18.4.2015


1. cascaes, João Carlos. Tecnologia e pedestres. [Online] http://tecnologia-e-pedestres.blogspot.com.br/.
3. Cascaes, João Carlos. Cidade do Pedestre Discutir acima de tudo a qualidade da Engenharia e Arquitetura no planejamento do trânsito e segurança dos pedestres nas nossas . [Online] http://cidadedopedestre.blogspot.com.br/.
4. —. Os idosos no Brasil e no Mundo Mostrar opiniões, estudos, reportagens e a situação do idoso no Brasil. [Online] http://cidadedopedestre.blogspot.com.br/.
5. cascaes, João Carlos. A pessoa com deficiência física Tratar das questões relativas à mobilidade, autonomia e segurança da pessoa com deficiência física. [Online] http://conhecendoaadfp.blogspot.com.br/.
6. Cascaes, João Carlos. Segurança e boas calçadas - Milan - um shopping aberto . Lugares preciosos. [Online] 7 de 11 de 2014. http://lugares-preciosos.blogspot.com.br/2014/11/seguranca-e-boas-calcadas-milan-um.html.
7. —. Blumenau. Lugares preciosos. [Online] http://lugares-preciosos.blogspot.com.br/2013/01/blumenau.html.
8. —. No centro de Paris . Lugares precisos. [Online] 10 de 2012. http://lugares-preciosos.blogspot.com.br/2012/10/no-centro-de-paris.html.
9. —. Mobilidade e acessibilidade em Zipaquira . Lugares preciosos. [Online] 10 de 2010. http://lugares-preciosos.blogspot.com.br/2010/10/mobilidade-e-acessibilidade-em.html.
10. —. Cidade de Turim - um modelo de mobilidade . Ponderações engenheirais Meditar, comentar, discutir sobre ser engenheiro no Brasil. [Online] 10 de 2014. http://pensando-na-engenharia.blogspot.com.br/2014/10/cidade-de-turim-um-modelo-de-mobilidade.html.
11. Los peatones son las principales víctimas de los accidentes de tráfico. Cidade do Pedestre . [Online] 9 de 2009. http://cidadedopedestre.blogspot.com.br/2014/12/los-peatones-son-las-principales.html.







[1] Wikipédia em 19 de abril de 2015 - As taxas de criminalidade no Brasil têm níveis acima da média mundial no que se refere a crimes violentos, com níveis particularmente altos no tocante a violência armada e homicídios.  Em 2013, foram registradas 25,8 mortes para cada 100 mil habitantes, uma das mais altas taxas de homicídios intencionais do mundo. O índice considerado suportável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de dez homicídios por 100 mil habitantes.
Observa-se, no entanto, que há diferenças entre os índices de criminalidade dentro do país. Enquanto em São Paulo a taxa de homicídios registrada em 2010 foi de 13,9 mortes por 100 mil habitantes, em Alagoas esse índice foi de 66,8 homicídios.
Segundo o "Mapa da Violência 2013", os estados mais violentos do Brasil são Alagoas, Espírito Santo, Pará, Bahia e Paraíba; e os municípios, Simões Filho (BA), Campina Grande do Sul (PR), Ananindeua (PA), Cabedelo (PB) e Arapiraca (AL). Já segundo a organização não governamental mexicana "Conselho Cidadão Para a Segurança", as regiões metropolitanas mais violentas do Brasil são as de Maceió, Belém, Vitória, Salvador e Manaus. Das 50 cidades classificadas em 2014 por uma ONG mexicana como as mais violentas do mundo, 16 são brasileiras. Em 2012, outro estudo realizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime indicou que das 30 cidades mais violentas do mundo, 11 são brasileiras (Maceió; Fortaleza; João Pessoa; Natal; Salvador; Vitória; São Luís; Belém; Campina Grande; Goiânia; e Cuiabá).

[2] Wikipédia em 21 de abril de 2015 – Um passeio (português europeu) ou passeio/calçada (português brasileiro) é um caminho para peões (pedestres) que margeia uma rua, e que é geralmente incluído no domínio público.
Os passeios/calçadas não devem ser confundidos com as zonas pedonais.
Conhecidos desde a Antiguidade, e raros durante a Idade Média, os passeios foram reintroduzidos em Inglaterra no século XVIII. Constituem uma parte importante do espaço público urbano, com atividades comerciais a ocupar parte da sua extensão.
Calçadas de borracha
O governo municipal de Washington, D.C. está instalando calçadas de borracha na cidade. A capital norte-americana está trocando o cimento (material usado extensivamente na construção de calçadas no mundo inteiro) pelo piso emborrachado em torno das árvores, para proteger as raízes e acabar com as calçadas quebradas.
O cimento não permite que o ar e a água passem para o solo. Por isso, as raízes crescem para cima, em busca de alimento, e acabam empurrando e quebrando a calçada. Todo ano, a prefeitura de Washington tinha que trocar blocos inteiros, quebrar o cimento e refazer tudo. Somente com os consertos, gastava cerca de US$ 5 milhões anualmente e ainda tinha que se defender de processos na Justiça, porque as pessoas tropeçavam, se machucavam e exigiam indenização.
Entre as placas de borracha, existe espaço suficiente para permitir a passagem de ar e de água. Como elas são maleáveis, também se adaptam à movimentação das raízes. O engenheiro Wasi Khan acrescenta outra vantagem do projeto: as placas são feitas de pneus reciclados, material que ocupa os depósitos de lixo e preocupa as autoridades.
Cada placa, que amortece a caminhada, significa um pneu de borracha a menos nos lixões. Mas o preço ainda é um problema. O revestimento novo custa três vezes mais do que o antigo. A vantagem virá a longo prazo. A calçada deve durar o triplo do tempo.
A instalação das placas de borracha é rápida, porque elas se encaixam umas nas outras com pinos que vão em orifícios. Além do mais, é um trabalho simples, porque elas são bem mais leves do que qualquer material de concreto. Elas também são reversíveis e não queimam com pontas de cigarro.
Nos Estados Unidos, 86% dos pneus velhos são reciclados fazendo calçadas ou asfalto. Uma tecnologia que está dando os primeiros passos no Brasil. Cada quilômetro de estrada pavimentado com asfalto de borracha pode significar até 7 mil pneus a menos nos lixões.

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